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O papel do Brasil no cenário das mudanças ambientais globais
Por Márcia Pimenta *

Se você fosse enumerar as dez coisas mais importantes para o ser humano, será que o meio ambiente estaria incluído nessa lista? Foi essa a provocação feita por Carlos Nobre pesquisador do Inpe e presidente do Programa Internacional da Geosfera-Biosfera (IGBP), durante o 10 Simpósio Brasileiro sobre Mudanças Ambientais Globais na cidade do Rio de Janeiro.

O papel do Brasil no cenário das mudanças ambientais globais Nosso modelo industrial incentivador do consumo tem tudo a ver com a degradação ambiental que vivenciamos atualmente. - Foto: Mario Moscatelli

Desde que o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima) divulgou seu último relatório em fevereiro deste ano, a questão climática está na agenda de governantes, pesquisadores e jornalistas. A redução da incerteza sobre a responsabilidade humana no aumento das temperaturas globais e a constatação de que a mudança climática já é uma realidade vem causando grande impacto na opinião pública, sem, infelizmente se traduzir em atitudes efetivas para mitigar as conseqüências das transformações climáticas que estão por vir.

Segundo o Físico Luís Pinguelli, da UFRJ, estudos realizados em 2006 dão conta de que o consumo de energia per capta dos países desenvolvidos vem aumentando. As metas de redução de emissão de CO2 propostas pelo protocolo de Kioto também estão longe de ser alcançadas. A primeira avaliação feita pelas Nações Unidas sobre as emissões após o Protocolo de Kyoto entrar em vigor, traz resultados decepcionantes. Os países ricos somados tiveram uma queda de apenas 3,3% em média nas emissões nos últimos 15 anos (que deveria ser 5,2% até 2012).

O Prof. Eduardo Viola, do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília confirma a obsolescência da Convenção de Mudanças Globais e do Protocolo de Kioto  em relação a classificação dos países pertencentes ao Anexo 1 ( aqueles que obrigatoriamente estabeleceram metas de redução de emissões de gases de efeito estufa), uma vez que não estava previsto o super crescimento da China e da Índia, países que juntos possuem 35% da população mundial. O Professor acredita que há a necessidade de grandes negociações entre os maiores emissores de CO2, que hoje são: Estados Unidos, União Européia, China, Rússia, Japão, Índia, Brasil, Canadá, Austrália, África do Sul, México e Indonésia.

Para ele, o Brasil deveria assumir uma atitude pró-ativa no que diz respeito à redução das emissões de CO2. Diferente dos países desenvolvidos cujas emissões dizem respeito à queima de combustíveis fósseis o Brasil se beneficia do potencial hidráulico de seus rios gerando 88% da energia consumida no país. Lamentavelmente as queimadas respondem por aproximadamente 70% das emissões brasileiras de gases do efeito estufa, indicando o mau uso do solo. Comprometendo-se com metas de curto prazo para frear o desmatamento que hoje corresponde a uma média de 20 mil ha/ano, propondo-se a reduzir este número para uma taxa anual de 7 mil ha/ano, o Brasil assumiria uma posição invejável e respeitável, com custos muito mais baixos do que aqueles com que a União Européia terá que arcar para atingir sua meta de redução de 20% das emissões, por exemplo.

Para Britaldo Soares Filho, do Centro de Sensoriamento Remoto da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), “o próximo protocolo do clima que suceder Kyoto tem que contemplar créditos de carbono devido ao desmatamento evitado. Isso renderia, com o custo da tonelada de carbono colocado de US$ 5, mas já se fala em US$ 20, algo entre 80 a 320 bilhões de dólares na comercialização dos créditos de carbono. Este é um valor extremo e corresponde à diferença entre o pior para melhor cenário de desmatamento futuro e admitindo que a área que pode ser evitada é de 1 milhão de km2 ”. O investimento anual em conservacão na Amazônia hoje é US$0,06bi, enquanto hoje o gasto com subsídios agrícolas na Europa é da ordem de US$ 180 bi e nos EUA US$ 120 bi.

O papel do Brasil no cenário das mudanças ambientais globais O metano liberado pelo sistema digestivo dos ruminantes possui um poder de aquecimento global 23 vezes maior que o CO2.

A esquizofrenia em busca do desenvolvimento vem deixando em último plano as questões ambientais. Em nome de outros ciclos produtivos como café, cana e outros, só nos restam 7% da Mata Atlântica. O Cerrado, com seus 2 milhões de km2, possui 40 milhões de cabeças de gado que produzem 7 teragramas (Tg = 1012g) de metano/ano que corresponde ao consumo de combustível de 36 milhões de veículos de passeio segundo a Prof. Aparecida Bustamante da Universidade de Brasília. O metano liberado pelo sistema digestivo dos ruminantes possui um poder de aquecimento global 23 vezes maior que o CO2.

A fronteira agropecuária avança Amazônia adentro e segundo Ima Vieira, Diretora do Museu Paraense Emílio Goeldi, 20% do bioma já foi modificado, sendo 35 milhões de hectares (ha) ocupados por pastagens, 20 milhões há de floresta secundária, 18 milhões ha de plantações exóticas e abriga 40% rebanho bovino nacional. E ainda podemos aguardar mais desmatamento por conta do plantio de cana para a produção de biocombustíveis, que avança perigosamente em direção ao sul do Mato Grosso e para o Pantanal, segundo Eduardo Assad (EMBRAPA).

A elevação das temperaturas globais pode colocar em risco o papel de regulador térmico da floresta amazônica. Além disso, também está em jogo a qualidade de vida e sobrevivência dos 20 milhões de amazônidas. Com a baixa no nível dos rios as populações estariam altamente vulneráveis.

Para a geógrafa da UFRJ Berta Becker a Amazônia deve ser aproveitada em seu potencial em oferecer benefícios climáticos e de biodiversidade. Para ela a política preservacionista que persevera até hoje não gera riqueza, trabalho nem renda para a população amazônica e também fracassou ao não conseguir barrar a fronteira móvel da madeira, do gado e da soja. Segundo Berta, existe 2 tipos de mercado; o da proteína (gado e soja) e o dos bens naturais (biodiversidade, água e seqüestro de carbono). São muitas as possibilidades e para ela, não deveríamos nos concentrar na soja ou na madeira certificada, mas buscar novas formas de produção usando o patrimônio natural, sem destruí-lo. Devemos deixar de ser meros exportadores de matéria-prima bruta, adverte.

Segundo Carlos Nobre o aumento das temperaturas não tornará o Brasil um país inviável de se viver, embora nos próximos 20 anos seja impossível combater as mudanças que já se iniciaram. A mobilização atual visa mudanças futuras, diz ele. Para Gilberto Câmara, Diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) “o desafio maior dos cientistas é pensar que estamos numa guerra de 100 anos e estamos nas primeiras batalhas”.

Estar no foco de atenção de toda a sociedade planetária tem seu lado positivo e negativo para o meio ambiente. Positivo porque promove a conscientização da situação ambiental mundial e isso pode gerar mobilização e mudança de atitudes. Negativo porque demonstra a urgência com que o assunto precisa ser tratado, embora pouco possamos fazer para modificar as conseqüências nos próximos 20 anos. A partir de 2012 começa uma nova etapa no protocolo de Kioto e metas mais ambiciosas deverão ser estabelecidas. Até lá Bush não será mais o presidente dos EUA e todos os candidatos ao posto são favoráveis às metas de redução o CO2. Ter o compromisso do maior emissor de CO2 em reduzir suas emissões é um ótimo sinal. Espera-se que a dimensão das questões ambientais alcançadas com muito sacrifício até aqui não seja eclipsada por maiores ameaças, como o terrorismo ou o lançamento de uma bomba atômica como nos aterroriza o Irã.

A Terra está em risco por diversos fatores e fazendo uma reflexão a la Leonardo Boff , urge não deixarmos que nosso lado homo demens (o suicida, genocida e etnocida que provamos que somos) prevaleça a nossa parte homo sapiens (o homem inteligente e sábio).

Lembremos ainda que o aumento avassalador da concentração de carbono na atmosfera que era de 280 ppm antes da Revolução Industrial e hoje está em 395 ppm, comprova que nosso modelo industrial incentivador do consumo tem tudo a ver com a degradação ambiental que vivenciamos atualmente.

(*) Márcia Pimenta é jornalista com especialização em Gestão Ambiental.

 

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